O tema ganhou atenção por causa da discussão em torno da legalidade da solução adotada pela Mercedes. A FIA, porém, considerou o conceito em conformidade com o regulamento. Pelas informações publicadas, a fabricante respeitou o limite de taxa de compressão de 16:1 em condições de temperatura ambiente, embora esse índice pudesse subir quando o motor estivesse quente.
FIA quer medir a taxa de compressão em tempo real
O passo seguinte da federação é ampliar o controle técnico sobre esse tipo de conceito. A partir de 2027, a FIA pretende introduzir sensores capazes de medir a taxa de compressão em tempo real, o que deve reduzir a margem para soluções cujo comportamento varie conforme a temperatura de funcionamento do motor.
Em informação publicada pela Motorsport Itália, foi relatado que “a partir de 2027 a Federação Internacional de Automobilismo pretende implementar sensores”. Na prática, o monitoramento em tempo real ataca justamente um dos pontos centrais do debate recente sobre a câmara de combustão e o comportamento do motor em diferentes condições.
Medida também atinge Ferrari e Red Bull Powertrains
A mudança não afeta apenas a Mercedes. Soluções de outras fabricantes, como Red Bull Powertrains e Ferrari, também devem entrar no alcance da revisão técnica prevista pela FIA. O objetivo é evitar que a área de combustão se transforme em uma nova frente de corrida armamentista entre os fabricantes.
Esse controle sobre a taxa de compressão também se conecta à tentativa de conter o aumento de gastos no desenvolvimento dos motores. Em vez de declarar irregular a solução usada até aqui, a FIA caminha para fechar a possibilidade desse tipo de conceito por meio de monitoramento mais direto e de uma regra acordada com os fabricantes a partir de 2027.
A controvérsia em torno da Mercedes, portanto, não resultou em punição nem em declaração de ilegalidade, mas acelerou uma mudança regulatória que deve alcançar mais de uma fabricante e alterar o desenvolvimento de soluções ligadas à câmara de combustão nos próximos motores.