O circuito está a 2.286 metros acima do nível do mar, condição que reduz a densidade do ar em cerca de 20% a 25%. Na prática, isso afeta ao mesmo tempo a aerodinâmica e o funcionamento do turbo, que precisa trabalhar mais para entregar a mesma quantidade de oxigênio. Como os carros de 2026 já têm menos downforce do que os anteriores da era de efeito solo, a perda de carga em altitude ganha ainda mais peso.
Sem MGU-H, turbo lag vira tema central
A mudança técnica de 2026 alterou um dos pontos mais sensíveis para a etapa mexicana: o MGU-H saiu de cena, o que ampliou os desafios ligados ao turbo lag. Shintaro Orihara, engenheiro-chefe da Honda, resumiu a preocupação ao dizer que “o turbo lag é o tópico mais interessante e importante neste circuito”.
O próprio Orihara explicou que, no México, “normalmente a velocidade do turbo é alta para obter fluxo de ar”. Esse cenário ganha importância porque os turbos trabalham perto de seus limites operacionais em condições de ar rarefeito.
Dentro desse contexto, a Honda já levou um novo turbocompressor ao usar seu segundo ADUO token da temporada em Madrid. George Russell também apontou a Ferrari como favorita para a etapa por causa do tamanho menor do turbo usado pela fabricante.
Configuração de asa e aderência entram na conta
Mesmo com longas retas, as equipes normalmente recorrem a configurações de asa semelhantes às vistas em Monaco para compensar a perda de carga causada pela altitude. Ainda assim, a aderência geral do carro segue como uma incógnita importante, especialmente por causa do recapeamento da pista.
Max Verstappen resumiu a sensação esperada pelos pilotos: “Aqui é muito menos aderente”. Mike Krack, engenheiro-chefe de pista da Aston Martin, afirmou que “normalmente, quando o piso é renovado, a aderência é maior”, mas os simuladores ainda não apontaram compensação total desse ganho. Isack Hadjar foi ainda mais direto sobre a expectativa para o traçado e disse que o fim de semana deve ser “escorregadio como o inferno”.