A explicação passa menos pela aerodinâmica e mais pelo uso da energia ao longo da volta. Em Monza, os pilotos passam quase 80% do traçado com o acelerador totalmente aberto, o que transforma a gestão da parte elétrica da unidade de potência em um fator decisivo para o desempenho em reta.
Limite de recuperação de energia muda o comportamento em reta
A FIA limitou a recuperação de energia a cinco megajoules por volta, e isso influencia diretamente a forma como as equipes distribuem a potência disponível. Na atual geração da F1, quase 50% da força do carro depende do sistema elétrico, o que tornou a administração dessa energia um dos pontos centrais da estratégia.
Desde o início da era híbrida, em 2014, tirar o pé e poupar equipamento antes das freadas passou a fazer parte da rotina da categoria. Em pistas como Monza, porém, outro fenômeno ganha peso: o chamado super clipping, quando o carro perde entrega de potência elétrica antes do ponto normal de frenagem e acaba ficando mais lento no fim da reta.
Piastri resumiu esse efeito ao dizer: “Se o limite de recuperação fosse maior, estaríamos em super clipping em todo lugar”.
McLaren levou asa de baixo arrasto, mas espera corrida movimentada
A McLaren introduziu para o GP da Itália sua asa traseira de baixo arrasto, descrita como a configuração “H-wing”, justamente para reduzir resistência ao avanço em um circuito de longas retas. Ainda assim, o ganho aerodinâmico não elimina a limitação imposta pela forma como a energia precisa ser usada durante a volta.
Segundo Piastri, o cenário pode deixar a prova mais imprevisível. O piloto afirmou: “Acho que a corrida vai ser um caos, especialmente no começo”.
As diferentes estratégias de uso de energia já vinham produzindo mais ultrapassagens nesta temporada. Sobre a discussão a respeito da natureza dessas manobras, Stefano Domenicali, CEO da F1, resumiu: “Ultrapassagem é ultrapassagem”.