Após a sessão, Hamilton estranhou a diferença de rendimento em relação aos rivais, sobretudo nas retas. Segundo o heptacampeão, o carro parecia competitivo no Treino Livre 3, mas Mercedes e Red Bull foram mais rápidas nos trechos de aceleração na classificação.
Hamilton resumiu a suspeita da seguinte forma: “Esses caras devem estar aumentando [o motor] naquela última parte do Q3, porque de onde saiu aquele tempo?”
Steiner vê lógica na desconfiança de Hamilton
Steiner, ex-chefe da Haas, disse concordar com a linha de raciocínio do britânico. Para ele, a oscilação entre treinos e classificação ajuda a explicar por que a Ferrari frequentemente chega cercada de expectativa e depois não confirma o mesmo nível de performance.
“Tenho a sensação de que os outros guardam alguma coisa antes de entrar na classificação”, afirmou Steiner. Em seguida, acrescentou: “A expectativa com a Ferrari é sempre mais alta com base no que ela mostra nos treinos livres.”
A leitura de Steiner, porém, aparece no campo da percepção, não de um dado conclusivo. A própria suspeita levantada por Hamilton sobre os rivais esconderem desempenho na classificação não vem acompanhada de comprovação objetiva.
Déficit de reta e limite de evolução do motor entram na discussão
O debate sobre o desempenho da Ferrari também passa pelo comportamento da unidade de potência. As dificuldades da equipe com o motor já eram conhecidas, e os números de velocidade de reta reforçaram essa impressão: Leclerc só foi mais rápido do que os carros da Aston Martin na medição de speed trap.
Esse cenário ganha peso porque o sistema ADUO da Fórmula 1 dá à Ferrari duas oportunidades de atualização do conjunto em 2026 e 2027. Enquanto a discussão sobre a origem da perda de desempenho segue aberta, Leclerc ao menos conseguiu reagir na corrida e terminou em segundo lugar.