Na prática, altura de rodagem e ângulo de rake continuam sendo fatores decisivos para o comportamento aerodinâmico de um carro de F1. Desde 2022, com o retorno da geração de carga pelo assoalho no conceito venturi, as equipes passaram a trabalhar com carros muito baixos e suspensões rígidas para preservar o fluxo de ar sob o carro.
Altura do carro e rake seguem no centro do desempenho
O rake — a diferença de altura entre a dianteira e a traseira — não é uma novidade na categoria, mas voltou a ser um tema importante dentro da discussão técnica mais ampla sobre desempenho e dirigibilidade. Adrian Newey foi um dos nomes que ajudaram a consolidar essa linha de desenvolvimento ainda nos anos 1990, ao elevar a traseira dos carros em projetos da Williams.
Depois, o conceito foi levado adiante em outros trabalhos do projetista. Sobre essa influência, o próprio Newey resumiu: “Ele levou essa ideia ao extremo com seus Red Bulls vitoriosos.”
Carros baixos e suspensões rígidas aumentaram o desconforto
No atual regulamento, válido de 2022 a 2025 nesse aspecto técnico, a geração de carga aerodinâmica pelo assoalho exigiu que as equipes operassem em faixas muito estreitas de altura. Isso contribuiu para carros desconfortáveis para os pilotos, justamente pela necessidade de rodar baixos e com suspensão dura.
Esse conjunto técnico ajuda a explicar por que o acerto mecânico e aerodinâmico ficou tão sensível nos carros de efeito-solo. Quando a performance depende tanto da estabilidade do fluxo de ar sob o carro, pequenas variações de altura em relação ao solo e de inclinação podem alterar de forma importante o nível de carga disponível.
A discussão sobre esse desconforto existe no paddock, embora eventuais impactos mais amplos sobre a saúde dos pilotos ainda demandem investigação adicional.